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30.11.09

Luz da noite

Ainda é noite.
ainda é noite aqui dentro.
a lua que brilha é falsa
artifício de luz forjada
no cenário que desmonta aos meus olhos
e me desnuda.
Ainda é noite e eu ando no escuro.
meus passos lentos e pesados
arrastam meu corpo à esmo
porque não querem tocar o chão
Aqui dentro, onde é escuro
no meu eu inabitado.
onde eu sou o que eu quero ser
e onde não quero ser o que eu sou
vejo sombras projetadas
a me provar
a existência da luz

19.10.09

Pragmatismo da vida


Lucimeire Santos

De tanto fugir de mim, acabei me encontrando. Continuo, entretanto, sumida, esquecida. Disso, daquilo e daqueles. Eterno equilíbrio instável, agora acompanhado de um estranho bem-estar.

Está certo: por vezes, me considero pragmática e utilitarista. Sobretudo para com as pessoas. Elas me servem em determinada época, dado contexto. Depois, parecem cumprir apenas um papel nostálgico; pano de fundo para as memórias.

Não pense que isso seja algo meticulosamente planejado, maquiavélico, dissimulado. Mais do que pragmático, seria desumano. E, cá, contrariamente à vontade, ainda existe um tanto bom de humanidade.

Há em mim muito mais Freud do que Maquiavel. Talvez um mecanismo de defesa que projete o pragmatismo nos outros, e a crença mordaz na projeção, que me faz agir similarmente ao comportamento que penso existir nos demais. E, afinal, não somos todos pragmáticos nas relações interpessoais?

Acho que o envelhecimento (tenho medo de usar "amadurecimento") nos faz mais utilitários. Menos devaneios, mais concretude, mais ações; fatos. Vida vivida agora – não projetada no futuro. Para mais tarde, virar mero pano de fundo.

É, talvez, a utilidade da vida. Assim, preguiçosamente e sem poesia.

3.9.09

Volta

Marcela Baiocchi

Volta a ver, a ver a volta

que o mundo em torno de si opera
para enfim não voltar a nenhum ponto
porque só existe no seu movimento.

Volta a ver que o pensamento
como o mundo se move e só espera
se o espírito estiver pronto
para trazer a palavra do sentimento.

Volta a ser, a ser a flor
que precisa girar em voltas
para desabrochar do seu botão

Para ver que não há re(volta)
que resista ao movimento do amor
impulsionado pelo coração.

(Re) volta

Lucimeire Santos

Voltas sempre às voltas
Quanto tempo durará a (re) volta?
Objetivo, pra quê?
Dicionários reduzidos, enciclopédias fechadas, literaturas perdidas, livros não-devolvidos
Amigos esquecidos
Uma (de) mente cansada.
Umas (se) mentes irrigadas.
Contrariadas, informadas, maltratadas.
(Alg) Umas novas histórias.
O silêncio das palavras que falam.

E a velha irriquieta verborragia.

30.10.08

...

é o seguinte:
só posto neste blog quando todas decidirem postar.
beijo me liga.